
A Bíblia, é a palavra de Deus. Isto não se discute. Mas, há de se levar em conta o seguinte: embora a Bíblia tenha sido escrita sob a inspiração do Espírito Santo, ela foi escrita por homens, numa época completamente diferente dos dias atuais. Até mesmo os estilos literários, as expressões usadas, eram diferentes naquele tempo.
Por isso, a Bíblia não pode ser lida como um livro qualquer. Precisa ser estudada e interpretada cuidadosamente. Se possível, antes de simplesmente ler a Bíblia, devemos fazer uma oração, pedindo ajuda do Espírito Santo, para que nos dê também um pouco de sabedoria. Desta forma, iremos compreender melhor as histórias, as palavras e as metáforas usadas naquela época em que foram escritos os textos bíblicos. Dentro desse entendimento, vou exemplificar apenas uma passagem do Novo Testamento, para que assim possamos entender melhor a sua mensagem em nossa linguagem atual.
Em Mateus Capítulo 5 versículo 21, encontramos aquela passagem, onde Jesus falava para uma multidão de pessoas no alto de uma montanha. Ele dizia o seguinte: - "Ouvistes o que foi dito aos antigos: de acordo com as leis de Moisés, a regra era: Se você matar, deve morrer também". Ou seja, "olho por olho, dente por dente", conforme era entendido e praticado naquele tempo pelos judeus. Mas, Jesus não interpretava assim como entendiam os antigos a respeito dessa lei de Moisés. Então ele se pôs a ensinar, naquele famoso Sermão da Montanha. Jesus ensinou, da seguinte forma:
"... ...Porém, eu ampliei essa regra, e digo que, basta que vocês fiquem com raiva, para que corram desde já, perigo de julgamento! Se vocês chamarem um amigo de louco, correm perigo de serem levados perante um tribunal. E se amaldiçoarem alguém, correm o perigo das chamas do inferno. Portanto, se você estiver diante do altar no templo, oferecendo um sacrifício a Deus, e de repente se lembrar de que um amigo tem alguma coisa contra você, deixe diante do altar a sua oferta, vá se reconciliar e fazer as pazes com ele, e depois volte e ofereça o seu sacrifício a Deus".
A velha Lei de Moisés, de mais de 3.000 anos, era entendida unicamente através de uma observância simples, sem questionamentos, e se dava por satisfeita quando estas leis eram cumpridas. A lei dizia: "Não Matarás" e, desde que a pessoa não cometesse assassinato, já teria cumprido a lei, muito embora tivesse desejado matar, ou continuasse odiando seu inimigo.
A Lei de Moisés também dizia: "Não roubarás" e, desde que a pessoa não se apropriasse do que não lhe pertencia, cumpria a lei, fossem quais fossem seus sentimentos a respeito. Jesus veio para corrigir essas e outras leis, e fazer com que a raça humana progredisse na direção mais importante, que é o nosso entendimento espiritual, e não apenas material
Foi um enorme progresso persuadir aquele povo ainda primitivo (na época) para não odiar e não matar aqueles que porventura o tinham ofendido, e sim, desenvolver um autocontrole para dominar sua fúria. Uma prática espiritual exige que a ira seja dominada. É impossível alguma experiência com Deus, ou seja, uma prática espiritual, a menos que a pessoa tenha se livrado de qualquer tipo de ressentimento contra o seu semelhante. Enquanto isso não acontece, suas orações não terão efeito.
Jesus também dizia que, se você levar uma oferta ao altar e se lembrar que seu irmão tem algo contra você, deve primeiro fazer as pazes com seu irmão, e só depois disso sua oferta será aceitável. Isto, nos dias de hoje, também precisa ser melhor interpretado. Precisamos entender que naquele tempo, era costume levar oferendas, ou "sacrifícios" de todos os tipos no Templo, desde vacas, pombas, incenso, ou o que fosse conveniente, até mesmo uma oferta em dinheiro.
Nos dias atuais, devemos entender essa prática de outra maneira, à luz de uma interpretação plausível para a nossa realidade. Nosso altar é a nossa consciência, e as nossas oferendas são as nossas orações (com perdão das palavras repedidas, mas é necessário). Nossos "sacrifícios", são nossos pensamentos errados, nossos pecados que devemos banir dentro de nós mesmos, e assim nos aproximarmos de Deus para merecer sua bênção. Deus está dentro de nós mesmos, na nossa consciência, Deus é amor. E a oração, bem compreendida, é uma ferramenta de retorno: "Pedi e vos será dado, batei e a porta vos será aberta..." (Mateus 7, 7:12).
Jesus disse também, que chamar um homem de "louco", quer dizer que achamos que nada de bom pode advir dele, o que equivale a negar a centelha divina que Deus colocou dentro de cada um de nós. Isso é atrair consequências sobre nós mesmos. Indignação, ressentimento, desejo de castigar outras pessoas, desejo de "ficar quites", todas essas coisas formam uma barreira ao nosso progresso espiritual. Equivalem àquelas palavras de Jesus sobre ampliar a antiga lei de Moisés, ou seja, um correto entendimento.
Se alguém tiver alguns desses sentimentos ou situações parecidas em relação à alguém, corra e vá "fazer as pazes com seu amigo", ou seja, trate de vencer suas falhas dentro de você mesmo, para elevar seu espírito ou sua mansidão junto a Deus. "Bem aventurados os mansos, porque herdarão a terra". (Mateus 5:5).